Às vezes, acontece-me. Mas desde o Verão que não acontecia com tamanho impacto. ESTE POST É PARA TI (SEJAS LÁ TU QUEM FORES). Só não estou na Gralheira. Desta vez, manda o avião fazer piruetas nas nuvens de Coimbra. Estou-me a passar. Está o recado dado!
Por aqui passei eu
Domingo, 27 de Maio de 2012
Das memórias
Nunca achei que se podia viver sem passado. Nunca me pareceu razoável negá-lo. Apesar das dores de crescimento que tantas vezes nos impõe, é ao passado que devemos muito do que somos hoje e o que viveremos amanhã. Além disso, não gosto de anular as coisas boas, de me calar as boas lembranças apenas porque um dia deixaram de poder ser mais que isso: lembranças. Parece-me uma opção infantil amuar e dizer que o sonho ceifado a meio nunca foi sonho. Foi, bolas. Correu mal, não se cumpriu inteiro, mas fez-nos felizes a dada altura. E, só por isso, vale a pena ter existido. É uma opção: ou permitimos que a má memória nos contamine ou nos desempoeiramos a aprendemos a apreciar, serenos, o que cada pessoa, história ou momento nos ofereceu um dia.
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Verdades e assim-assim,
♥
Ex futura sogra
A minha ex futura sogra mais querida de todas, aquela que continua a fazer-me bordados para o enxoval, embora só tenha namorado com o filho quando tínhamos uns cinco anos, hoje sentou-se, enternecida, a olhar para nós. Depois saiu-lhe, com a cabeça de lado e um sorriso cheio de mimo, a pergunta "O que fazem, meus amores?". Respondemos em uníssono "Tentamos encaixar as cores do cubo mágico que o P. ofereceu aos miúdos." Encheu-se de orgulho. Nós, de pena. Juristas e médicos não foram feitos para encaixar cubos mágicos. Há sempre uma puta de uma peça que não fica a condizer. Ainda dizem que é um jogo... Humpf. Viemos do sofá os dois enervadíssimos.
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Verdades e assim-assim
Revisitação
No próximo fim de semana, começo o sábado bem pela fresca, de mala aviada e de caminho para uma conferência. A última deste ano, se pensarem que, para mim, os anos também são escolares e não só, ou tanto, civis. A minha vida não se compadece com grandes descansos em Dezembro, nem balanços, nem nada. O meu corpo acusa o cansaço extremo é nos meses do estio e dentro de pouco tempo entro em modo duas velocidades: devagar e devagarinho, sendo certo que, apesar disso, as tarefas se acumulam e têm de ser feitas. Se não fizesse anos em Dezembro e o Natal não fosse a minha época amada, diria mesmo que só conhecia o calendário escolar, desprezando sem remorsos o civil. Mas enfim, dizia eu que no próximo sábado hei-de botar faladura pela última vez este ano. Depois terei dois meses intragáveis, ocupados com exames para corrigir, provas orais para fazer e... pouco mais que isso (estou a ponderar ir aos Santos :)). Tempo muito mal gasto, diga-se. Chegarei ao destino num comboio madrugador e daqueles que me levam pelo caminho mais bonito para se fazer de comboio a seguir ao da costa este de Itália, de Veneza para Assis (dificilmente destronável, penso). Falarei, ouvirei, discutirei, aprenderei e... despedir-me-ei, em ânsias, com uma mala aviada com bem mais que livros, rumo a um fim de semana há muito desejado. Lá para os lados da Invicta, cidade a que não me rendo mas a que reconheço encantos que sobrem para me fazer feliz dois dias na companhia certa. Estou a precisar desta revisitação que se anuncia como de pão para a boca. Estou que pareço garota, a querer (re)viver tudo de uma assentada. Aiiii... Falta uma semana :)
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Lugares,
Verdades e assim-assim
Poemário essencial
Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
Maria do Rosário Pedreira
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♥
Da profissão
Na vida há pessoas que nos marcam em definitivo, mesmo que passem pela nossa vida, assim, ao de leve. Hoje, a meio da tarde, alguém disse um "até já", com palavras sentidas, verdadeiras, com a humildade que caracteriza esta jovem Senhora, que hoje, ao meio da tarde, disse um até já. Desde o primeiro momento que sinto empatia (que secretamente desejo que seja recíproca). Durante a conversa que teve com os presentes, hoje, ao meio da tarde, fui tomando algumas notas, pois sabia que, no fim, teria a possibilidade de também exprimir a minha gratidão por estes momentos ao longo de 7 meses. Na verdade, não o consegui, a voz embargada, a lágrima oprimida e até os aplausos não chegaram ao fim nas minhas mãos. A verdade das palavras, a humildade demonstrada, a sinceridade do olhar, desta Senhora, deixou vir à tona a minha timidez e calaram o meu agradecimento. Confesso que hoje não é fácil encontrar assim pessoas. Num mundo mais individualista que nunca, onde a soberba, a arrogância, o egoísmo, dominam. Obrigado pela atenção com que sempre nos tratou, de igual para igual, na base do mútuo respeito, com a humildade dos grandes e a maturidade que muitos jovens de 30 anos não têm.
C., 25 de Maio de 2012
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Frases com história
Da disposição
Tenho cumprido medianamente o plano traçado para o fim de semana, conquistando porém cada tarefa cumprida... a pulso. Ele é febre, nariz entupido, preciso assoar-me a toda a hora, ben-u-ron e brufen alternadamente, dores no corpo todo, olhos lacrimejantes, falta de ar durante a noite, tosse e vontade de não fazer nenhum. Tenho estado a fazer. Mesmo. Mas tem sido uma coisa tão custosa, pessoas...
Sábado, 26 de Maio de 2012
Welcome sun
Não sou fã de sol. Não amo o Verão. E mi mi mi. Mas, se tem de ser, que seja em bom. A varanda cá de casa está, mais um ano, preparada para ser um sítio delicioso para as leituras do amanhecer ou do final do dia.
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Gosto de...
Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
Wishlist... para o fim de semana!
E disposição para dobrar centenas de cartas. E sabedoria para continuar um artigo para acabar durante a próxima semana. E alegria para sair de manhã, ir à florista e comprar um manjerico. Daqui a nada chegam os santos populares e ainda não há sinais disso cá por casa... imperdoável. E serenidade. Paz.
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Gosto de...,
Wishlist
Ódio de estimação XXIV
Collants que escorregam pelas pernas abaixo.
Chego ao destino e a primeira coisa que tenho de fazer é ir a uma casa de banho puxar os collants para cima*. A alternativa é levantar a saia onde estiver e com quem estiver e fazer exactamente isso (não é mais nada... é só puxar os collants para cima).
* Sim, ontem foi isto que aconteceu, pessoa.
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Meu ódiozinho de estimação
De rir
Foi de rir. Foi mesmo de rir. Foi uma noite bem gira, pois foi. Um TAGV lotado aplaudiu de pé. Gostámos.
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
♥
Dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Com uma diferença. Há uma ou duas coisas de que me arrependo. Ou porque as fiz, ou porque as evitei. No resto, porém, dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles. Percebo-lhes, e neles a mim, o deserto que perdura. Há-de haver outras razões, mas o cansaço... e a ruga, a funda, a doída ruga, ajudam bem melhor a saber porquê. É que eles dizem o que eu diria se soubesse falar assim organizado como eles.
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Traduza-se.,
♥
Aroma de mim
Ultimamente, quase sempre que entrego um documento a alguém, ouço, do lado de lá, que o papel cheira a mim. Espanto-me, até porque, como devem imaginar, não ando a borrifar resmas de papel com o meu perfume, nem tão pouco me esfrego nelas para que fiquem com o meu aroma. Voltou ontem a acontecer. Dei-lhe o papel e o melhor melhor amigo sai-se com a pérola "Cheira a ti, pequena!". Oi?! Pois... ao que parece, não sei como, agora dei em deixar nos escritos uma marca olfactiva. O perfume não mudou (há anos que é o mesmo), a maneira como o uso não mudou (é raríssimo usá-lo directamente nos pulsos, que seriam a parte de mim mais em contacto com o papel), o tempo que dedico aos papéis tem sido cada vez menos... não faço ideia de onde apareceu a moda, mas a verdade é que, ao que parece, tenho um cheiro característico e o que entrego às pessoas, depois de me ter passado pelas mãos, vai com esse aroma atrás. Diz que é bom, que se lembram de mim. Eu acho que quando chegar à fase de chumbar pessoas em exames, o meu Balenciaga Paris será o mais odiado dos aromas. É um suponhamos. Vamos a ver.
Amiga é
aquela que sente pontadas no estômago enquanto ouve o relato da amiga e este inclui uma pessoa em quem ainda não confia, que ainda não acha a certa, que lhe dá ares de ser pouco pura, que não tem santo que se cruze bem com o seu, que lhe parece não jogar com o baralho todo.
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Verdades e assim-assim
Da profissão
Acabo as aulas amanhã. Este ano foi estranho. Muito estranho. Estive, pela primeira vez, exclusivamente na "minha área" e a verdade é que há muito, muito tempo que não me sentia tão "peixe fora de água". Quando, aos 22 anos, escolhi um caminho, estava tão longe de imaginar o que aconteceria depois dessa escolha. Como sempre, deixei-me levar pelo coração. Não hesitei. Decidi e decidi-me. Pouco tempo depois, um ano, mais ou menos, recebi um convite profissional que me mudou para sempre, a mim e às minhas escolhas. A minha área deixou, há muito, de ser "a minha área". Com algum jeito e paciência, tenho, com relativo sucesso, provado, no entanto, que é possível ter dois amores profissionais, que me interesso por coisas transversais, que é de um apoucamento tacanho espartilhar estes assuntos. Não posso, porém, evitar este sentimento parvo de ter desejado tantooo esta mudança e agora achar que sou tão mais moça do que a vida me ofereceu do que propriamente do que escolhi para mim. Sabemos tão pouco do que o futuro nos reserva, meus caros, tão pouco. E pronto, vamos entrar em dois meses loucos, muito loucos. E para o ano sentir-me-ei mais menina de crime que de família. Espero. Ou fifty fifty, que já não era mau.
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Verdades e assim-assim
Das decisões. Dos tribunais. Do valor de uma sentença.
O estado português foi condenado a pagar quinze mil euros de indemnização a Baltazar Nunes, pai de Esmeralda, pelo atraso na execução da decisão de entrega da menor ao pai. Nada mais, nada menos que quatro anos e cinco meses. Não conheço todos os pormenores do processo, mas conheço alguns e, ainda que não conhecesse, este post faria sentido na minha cabeça. A verdade é que não quero particularizar a questão. Quero apenas aventá-la, dando exemplos concretos que facilitem a compreensão do mau odioso fenómeno do desrespeito pela decisão judicial. Parece-me que a desconsideração pela decisão judicial legítima e não sindicada é o primeiro passo para a descrença na justiça em geral. O valor da segurança jurídica é deitado por terra quando falar o tribunal ou chiar um carro valem a mesma coisa. E o cidadão, mesmo o cidadão condenado, não pode aceitar isto de ânimo leve, pacificamente. O último reduto de ordem está na definição do que tem de cumprir-se. A anarquia, tantas vezes confundida com a liberdade, traduz uma ausência de regras de vivência comunitária absolutamente essenciais para a manutenção da paz social. Há decisões com que não concordamos?! Pois muito bem... mobilizemos os recursos às instâncias competentes para defender a nossa posição. O que não pode aceitar-se é a solução de fazer orelhas moucas ao que nos é dito pelo poder judicial. Estamos descrentes no poder executivo, afundamo-nos em iniciativas bacocas do poder legislativo. Vamos aceitar que ao poder judicial se reserve o pantanoso lugar de mera figura decorativa?! Pergunto: em quanto poderá vir o estado português um dia a ser condenado por não fazer cumprir a decisão condenatória de Isaltino Morais, que lhe aplica pena de prisão efectiva?! Em quanto deveria o estado português ser condenado por compactuar com o lamacento processo Casa Pia, em vias de expiação do mal do crime pela lei do mais forte?! O direito, a justiça, não devem servir como forma de erguer parangonas de moralidade pública, como sacrifício exemplar de uns para educação dos demais. Nunca defendi isso, não é agora que vou passar a fazê-lo. Mas não pode, por outra banda, apequenar-se na law in the books, fazendo tábua rasa das vantagens da boa law in action. Por motivos que não vêm ao caso, mas que se prendem com o que comecei por dizer, acho que a indemnização peca por defeito. Temo, seriamente, que o inexpressivo montante não seja suficiente para despertar as consciências para esta evidência: o juiz não decide por capricho. O juiz decide com base em factos. Se a verdade do julgamento é igual à verdade real? Muitas vezes, não. Mas a alternativa está em negar, de uma vez para sempre, a noção de estado como a concebemos actualmente e regressar ao justiceiro "olho por olho, dente por dente", às divisões salomónicas, às purgas enraivecidas que legitimam a pena de morte, a mutilação, a prisão perpétua. Estão no vosso direito. É isso que querem?! Muito bem. Avisem-me só com tempo suficiente para que faça as malas. Não é nesse sítio que quero viver.
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Do Estado das coisas...
Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
Doente
Dói-me tanto a garganta. Tanto. Custa-me engolir a saliva. Tenho tosse. Dói-me a cabeça. E o ouvido direito. E o corpo.
♥
Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
Charles Chaplin
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E levava-me ao altar :),
Música,
♥
Das certezas
Tenho poucas. Tão poucas que não chegam a ser as mesmas à noite e pela manhã. Não devem ser certezas. São demasiado errantes para que não lhes chame dúvidas. A bem da verdade, talvez não tenha certezas para lá mim. Preferia ter uma ou outra que me permitissem agarrar-me a elas como bóias. Não tenho. Sei aldrabadamente o que quero, mas sou desconcertante no momento de sentir o que não quero. E às tantas... baralho o que quero e o que não quero. Penso demais, dizem-me alguns. Seja. Sou ser pensante, bolas. Sinto, ainda assim, bem mais. Sou muito ser sensação. E há madrugadas em que sinto tudo tão diferente do que senti na véspera, que tenho vindo a perguntar-me se durante a noite não me reinvento, não me refaço, não me mudam os sítios à razão e ao coração. Sei que gosto de estar genuinamente feliz. E que isso, por mais que se confunda, não é o mesmo que estar só contente. Acho que é por aí. Talvez investigando isso encontre uma certeza. Ou não. Que, como no resto, prefiro ter a esperança de estar tão enganada que a vida ainda me há-de provar que não tenho de me abalar em buscas, apenas serenar-me para não atrapalhar os encontros.
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Traduza-se.
Terça-feira, 22 de Maio de 2012
ah ah ah
\
Se há coisa de que eu gosto é de humor, da capacidade de uma pessoa rir dela própria. Talvez por isso, não me revendo em nenhuma das alegadas características das mulheres ali mencionadas, acho, ainda assim, isto uma coisa deliciosa.
Dos blogs
É por posts como este que gosto tanto da Miss Glittering. Não sei quem é, nunca a vi, nunca comentei no blog, nada. Mas venho quase sempre tão mais bem disposta depois de por lá passar que o Às nove no meu blogue é um dos meus cantos preferidos da blogosfera.
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Gosto de...,
Verdades e assim-assim
O tilt
Não sei onde, mas as pessoínhas que estão neste momento a concluir a parte curricular do mestrado e em fase de escolha de orientador leram que dou rebuçados a quem oriento, só pode. Ou isso, ou ovos kinder. É que é todos os dias, mais do que uma vez por dia. Já tenho medo de abrir o mail. A cada nova vez... nova alminha aflita e a conversa do costume e tréu téu téu pardais ao ninho do tema que tem tantas afinidades com o que investigo e da amiga da prima da vizinha da tia que disse que eu tinha escrito não sei o quê e que estão tão disponíveis para que nos encontremos e tumbas... o pedido. Sou má, pessoas. Sou muito má. Digo-vos a bibliografia toda baralhada, não vos leio as teses e nas defesas falo mal de vocês ao arguente. A sério, não me queiram a orientar-vos. Sou reles, mesmo. E um bocado burra, até. Esqueçam-se de mim, pelas almas. M-E-D-O. Cheira-me que vai ser um ano em regime non-stop.
Cabeça em água
O dia está a render, é verdade. Mas estou com a cabeça em água. E ainda não vou sequer a meio dos pendentes.
Já está!
Talvez venha a arrepender-me, mas decidi ouvir a voz que me anuncia que um sofá branco é como manteiga em nariz de cão. Fiquei-me pelo bege mais clarinho de todos. É dizerem se apreciam, já agora, está bem?!
Pequena R. comenta com o leitor
Gostava de encomendar o meu sofá do Ikea. Gostava de aproveitar aquela cena do transporte gratuito. Gostava. Tenho tentado. Talvez por muitas pessoas terem pensado no mesmo que eu, não sei, mas ultimamente as únicas disponibilidades que têm são para padrões manhosos às flores, cores extravagantes ou poltronas pouco amigas de sestas. Só queria um sofá básico, normalzinho, branco, de preferência, mas também pode ser bege ou azul escuro ou... e pronto... lá tinha eu de mudar a decoração (mas era o pretexto mais melhor para isso) cor de rosinha. E de três lugares. Não é pedir muito. Pago na hora. Não reclamo. Gostava até de apalavrar também a montagem. Dou-vos este que aqui tenho. Ofereço-vos um chá, também. Dá para anunciarem sofás de jeito disponíveis?! Dá?!
Unexpected
E pronto. Acabo de receber um mail tão gentilmente escrito, tão "Conte-me lá da sua opinião que eu quero tanto saber dela", tão sem peneiras, tão "Ai é para trabalhar, não há problema nenhum e até já analisei tudo o que me mandou e nem cuspi fogo com tanto papel para ler", tão "concordo tanto consigo, mas que boa ideia, mas que eficiência", tão sensato, que estou ainda a segurar o queixo. É. Ainda nem a boca consegui fechar. Impõe-se a pergunta: Por que cargas de água insistem as pessoas na infeliz ideia de que para serem respeitadas têm de comportar-se como estafermos?! Olha, pessoa, estou um bocadinho tua fã outra vez, sim?!
Intratável
Sei ser intratável. Pior. Sei ser muito mais intratável do que é possível imaginarem-me como intratável. Operam este milagre as pessoas que me ligam para anunciar créditos, aspiradores, cadeiras de massagens, esfregonas que limpam sozinhas e raladores que levam os legumes para a mesa e os metem na boca das crianças com birra. É. Estas pessoas têm a ingrata tarefa de terem de lidar comigo. E eu não lhes gabo ou invejo a sorte. Que é má. Péssima, até. Acabo de ser muito intratável com uma menina que falava a correr e sem respirar entre as palavras ou sequer entre as frases. Mas estava a pedi-las. Liguei para activar um mísero cartão de débito. Concedo, compreensivelmente, tive de lhe dar todos os meus dados pessoais, com rara fortuna tendo apenas conseguido furtar-me a revelar-lhe a copa de soutien e o padrão das cuecas. Mas depois achou que podia passar o resto da tarde, sob o pretexto de aguardarmos a activação, a falar-me de contas e spreads e juros e cenas. Bem achou ela, bem se enganou, digo-vos eu. Saltou-me a tampa e perguntei-lhe se a esfrega estava para demorar ou se já podíamos ir ambas as duas fazer coisas úteis pela nossa vida. Emudeceu. Confirmou a activação. Disse obrigada e desliguei. Sou uma cabra, eu sei. Têm de ganhar a vida. Mas cansam-me a beleza.
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Das homenagens. Das palavras.
Hoje pedi que escrevessem um texto de homenagem a uma pessoa que também eu não me importaria de homenagear. É um privilégio tão grande conhecer fazedores de coisas inesquecíveis.
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Ainda dos clics
Já vos aconteceu conhecerem alguém a quem reconhecem todas as qualidades para ser a pessoa, mas todas e... não ser?! Não... dar?! Não vos suarem as mãos, não vos doer a barriga, não se vos acelerar o ritmo cardíaco?! Chamem-lhe clic físico, chamem-lhe xyz, chamem-lhe australopitecus amurosus, chamem-lhe o que quiserem. É uma cena... que tem de assistir às pessoas para que a coisa se dê. E que às vezes, inexplicavelmente, não assiste.
Dos clics
Há os que nunca chegam. E há os que partem para sempre. Às vezes, porque sim. Às vezes, porque precisamos de andar para a frente.
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E é sempre assim
Pelo menos uma vez por ano, terei, até ao dia, que os ouvir dissertar sobre como fomos feitos um para outro. Não fomos. Já estudei a hipótese a fundo. Já a vivi mais do que intensamente. Já fomos tudo o que podíamos ser. Tudo. Fomos felizes. Fui. Mas não me chega ser o que fui com ele. E ambos sabemos disso. Tão bem que nós sabemos. Não posso dizer-lhes, porém, que já fomos tudo o que podíamos ser. Continuam todos absolutamente rendidos ao que imaginam que um dia seremos. Não vai acontecer.
Domingo, 20 de Maio de 2012
ACA
DÉMICA!!!
A-CA-DÉ-MI-CA!!!
ACADÉMICA!!!
E lá ganhámos :)
P.S. Não sinto nem pernas, nem costas. A meio da tarde estava a lavar louça e tinha o N., em simultâneo, a fazer-me massagens...
Sábado, 19 de Maio de 2012
Pois...
Em vésperas de receber em casa um tantão de gente, aparece-me um herpes. Fantástico. A minha própria mãe está fartinha de construir teses sobre o fenómeno. Imaginem o que poderá fazer o resto da malta.
Work in progress
Depois de uma mousse de lima, um bolo beijinho, uma tarte de côco, uma mousse de chocolate, um gelado, um cheesecake, uma queijada e uma panacota, vou pôr a mesa para umas dezenas de pessoas. Bem sei... Amanhã à noite não sentirei as pernas. Durante a próxima semana andarei a botijas de água quente nas costas. A velhice é tramada.
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Das pessoas virtuais às pessoas reais
Sempre fui um tanto céptica relativamente aos benefícios do mundo virtual para acreditar que, desse, transportaria para o meu, real, pessoas que passariam a ser muito minhas. É sabida a minha resistência a entrar no mundo facebookiano e a falta de atenção que devoto àquilo. Raramente me dispus a sinalizar-me com verde nas conversas de chat do e-mail. Ontem percebi que já me tinha esquecido que um dia tive uma coisa chamada msn (notem o quanto lhe ligava). Fiz um curso superior já no século XX e mantive-me durante os cinco anos que durou sem qualquer computador atrelado a mim. Havia um computador em casa dos meus pais, mas raramente o usava. Cultivo o mais que posso as conversas olho no olho em detrimento de qualquer moda mais moderna de ligar câmaras e falar por skypes ou coisas dessas. Nunca, na sequência disto, entrei num dos muitos chats de relacionamentos que por aí há, fosse para conhecer gente ou ver só como funcionava aquilo. Mas não sou bota de elástico. Acho que não sou. Tenho dois amigos casados há dez anos e que se conheceram pela internet, em pesquisas comuns sobre uma cidade para onde pretendiam ir estudar. Tenho outra amiga que diz ter encontrado o amor da vida uma vez que estava a ver fotografias de uma festa de uma colega no computador e bateu os olhos num homem que jurou viria a ser seu. É. Há 12 anos. Tenho um blog. Já me apaixonei por uma pessoa que conheci porque também tinha um blog. Tenho algumas minhas novas pessoas conquistadas primeiro por aqui. Portanto, eu não posso dizer-me desconfiada relativamente a isto. Mas. Pois, como numa série de outras coisas, também nesta o meu discurso tem um mas. Não é o mas moralista que a primeira frase podia anunciar. Não. É um mas bem mais comezinho, um mas que se baseia numa coisa muito simples: por aqui, sabemos do outro que existe e, gostando do que nos diz e de como nos faz sentir, mais umas coisas a seu respeito. Em princípio, não fazemos confidências a alguém que nunca vimos e não acalentamos por gente que pode, até prova em contrário, ser um personagem, muito mais do que, quando muito, paixonites agudas que são boas para despertar os sentidos, mas pouco mais. (Certo, concedo, já me aconteceu essa troca de confidências duas vezes com pessoas que nunca tinha visto, mas a verdade é que essas pessoas também tinham um blog e, apesar de tudo, estou com quem diz que é muito difícil manter um personagem por anos a fio, pelo que os blogs, sobretudo estes assim, como o meu e o dessas pessoas, inevitavelmente, têm muito do que somos.) Pelos blogs, acho eu, sinceramente, cria-se uma espécie de laços. Há pessoas que nos acompanham durante demasiado tempo para que possamos ignorar que já sabem muito de nós. Há uma cumplicidade, até, que se escora nos comentários, no conforto de saber que há quem nos apoie e torça por nós em momentos difíceis, quase sempre sem cobrar-nos mais explicações que as que damos, e em sabermos que ficam felizes, contentes, vá, quando uma coisa nos corre bem. É talvez por isso que gosto tanto de ter um blog. É muito por isso que me assusta, como há pouco tempo disse, a ideia de muita gente a seguir-me. Gosto de ir controlando as minhas pessoas blogosféricas com algum desvelo, absolutamente incompatível com a massificação dos seguidores. Mas isto são os blogs. Ninguém me tira da ideia, até que me prove com factos, que podemos crescer em pessoas, ganhar amigos, conhecer amores, o que seja, por esta via, se, naturalmente, a isso se seguirem os passos todos normais, consequentes e serenos, que compõem as relações que valem a pena. O blog não passa, pois, da esquina da vida em que nos esbarrámos, não tendo de acarretar com a enorme responsabilidade de ser o palco inteiro da história. Mas, dizia eu. Ora, mas isto já não pode acontecer assim quando se conhece alguém de quem não se sabe nada e se pulam etapas, se marcam encontros da primeira vez que se falam, sem se saberem nomes reais, sequer, ou, sabendo-se, quando isso serviu apenas para se vasculharem bocados da vida no livro das caras. Tenho medo dessas aventuras. Não me imagino a vivê-las. Nem pela adrenalina. A sério. Posso sempre dedicar-me a outras coisas em busca dessa necessária adrenalina, sei lá. Há gente doida, neste mundo. Há mentes com muitos problemas, pessoas. A minha limitação genética para estas andanças já se percebe bem pela incapacidade que mostro nos dates, mas se sou assim em dates (Até parece que passo a vida nisso... mas não passo, mesmo. Sobram-me vários dedos de uma mão se me puser a contá-los!) com pessoas que têm amigos em comum comigo, de quem já ouvi falar ou que, pelo menos, acompanho há meses pela escrita, não quero imaginar o camadão de nervos (ou não... que eu sou estranha) em que mergulharia se me desse para ir encontrar uma alminha de quem sabia apenas o nick do chat onde nos falámos uma única vez... e tumbas, vai de marcar encontro! Chamem-me medricas. Deve ser isso. Mas não concebo, pronto!
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Dia da espiga
Se estivesse em casa dos meus pais, provavelmente, hoje daria um passeio a pé com a minha mãe para apanhar a espiga. Um ramo composto de flores, galhos de árvores e uma espiga e que deve ser mantido, a secar, atrás da porta, até ser substituído no ano seguinte. Reza a lenda que, aquando das trovoadas mais fortes, se queimarmos um pouco da espiga, esse é o melhor pára-raios que podemos ter. Não gosto de trovoada. Em compensação, seja por dar sorte, afastar os raios ou simplesmente por ser composto de coisas bonitas, gosto do ramo da espiga: uma espiga (pão), um malmequer (riqueza), uma papoila (símbolo do amor e da vida), um ramo de oliveira (paz), videira (alegria) e alecrim (saúde).
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
É o destino
Atendendo a que tenho mesmo de acabar estas coisas hoje e a minha capacidade de concentração decidiu falecer, estava eu para aqui a pensar "Ai pequena R. que vais passar uma noite tão animada a trabalhar por teres passado um dia em que rendeste tão pouco, cachopa. É triste, bem sei, mas tens de ser forte e aguentar-te. És crescida. Nada de chorar.". Cabisbaixa, atirei-me ao trabalho com ganas de o acabar, mas sem ver o seu fim próximo. Toca o telefone. Diz que vou à música máilogo. E pronto, se isto não é destino, não sei o que será. Estava escrito que aos 16 dias do mês de Maio do ano da graça de 2012 iria produzir tanto como uma pedra da calçada. Sendo assim... a ver se pela noite dentro me penitencio.
As provocações
Linda, podes ficar com os miúdos amanhã à noite por um bocado?! Podes trazer companhia...
Já lhe chamei meia dúzia de nomes e pronto, acho que tão cedo não repete a gracinha. Mas sim, fico-lhe com os miúdos.
Verdades e assim assim
Tinha pensado montar hoje a rede na varanda. Amanhã as temperaturas descem dez graus. Podia estar triste. Não estou.
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Nossa Senhora da Tainada
Domingo há festa em casa dos meus pais. Moram numa aldeia e fazemos por manter algumas das boas tradições dessas terras mais pequenas em que as festas são religiosas e profanas em peculiar equilíbrio de forças, em que há procissão com banda filarmónica, mas também grupos de baile a actuar nas noites de sexta e sábado. Vêm emigrantes e há fitas com flores em papel presas a árvores e postes de electricidade. Em casa dos meus pais, há azáfama na cozinha e um gentio alegre durante o dia de domingo. Há mesa corrida e bancos de madeira. Há pão quente, comidas de forno de lenha, sobremesas, louça fora dos armários, muitos copos e talheres, torneios de matraquilhos e ping pong, rebeldes que se penduram da tabela de basket para desespero da minha mãe, mantas estendidas para sestas no jardim e espreguiçadeiras juntas a cadeiras para que as pessoas passem a tarde a deitar conversa fora. Há flores desfolhadas para enfeitar a rua e histórias repetidas e novas da minha avó. Desde há anos que acrescentei pessoas a esta festa, a esta reunião de amigos e gente do coração. Não vão só os amigos dos meus pais, cujos filhos são meus amigos desde que nascemos. Vão também os meus amigos, aqueles que a vida adulta me apresentou e de que não mais prescindi nos momentos de ser feliz. Da primeira vez, lembro-me como se fosse hoje, o meu pai entrou em stress e andou uma semana a protestar que não tinha paciência para engravatadinhos com mania (movo-me num mundo em que é difícil acreditar que há gente normalzinha!). Prometi-lhe que as minhas pessoas eram sujeitas a rigorosos critérios de selecção e que mais apertados ainda eram os critérios para escolher aquelas que lhes apresentaria. Ninguém desiludiu ninguém e dá gosto ver que os meus amigos e os meus pais e os amigos dos meus pais convivem em amena cavaqueira pelo menos uma vez por ano. Em resposta ao meu pedido de confirmação para domingo, recebi, de uma das minhas pessoas, este mail. É delicioso.
R.
bem sabes que para o clã xxxxx a festa de zzzzz equivale às corridas de cavalos de Ascot em Inglaterra.
Para nós é como a abertura da Saison, o equivalente ao primeiro de Maio para os sapatos brancos.
É, ao fim e ao cabo, o anúncio de que está aí a Primavera e o bom tempo e a confirmação de que os bons amigos também se conhecem à mesa e à conversa em casa de outros amigos.
Conta com os três de wwwww!
Beijos ao clã yyyyy.
P.
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Gosto de...
Quem vier a seguir
que arrume a casa!
É de uma tremenda injustiça quando somos obrigados a pagar a factura dos estragos provocados por outra pessoa. Mas não deixa de ser igualmente profundamente injusto e criticável quando fazemos uma pessoa pagar a factura dos estragos que outra provocou em nós. Não sei o que é pior. Se ser a pessoa que vem a seguir, se ser a alma estragada de quem se abeira novo incauto. São tudo posições ingratas, parece-me. Sempre que cheguei a seguir e fui forçada a saltar barreiras, apanhar cacos, varrer folhas secas e arejar a vida escura do outro, do alto da minha indignação, consegui, sem grandes remorsos, gritar que se dane, que se reerga, bolas, que eu não tenho culpa nenhuma, como credora insatisfeita do que a ternura inicial me promete e a descoberta do dia a seguir ao outro dia nega. E a verdade é que quem vem a seguir não tem mesmo culpa de ter chegado demasiado tarde para lhe evitar os estragos provocados por quem se apressou na corrida e afinal não quis trilhar aquele caminho até ao fim. Quem vem a seguir também chega cansado, ora essa, também traz bagagem, também tem feridas. Pode, portanto, passar-se da marmita de vez em quando sem que, com isso, esteja simplesmente a dar sinais de pretender desistir. Só se cansa, a tempos, de remar contra a maré, de quase ter de pedir desculpa por ter aparecido e gostar de tentar saber o que pode sair dali. Quem vem a seguir também é gente. Não é personagem isenta de falhas. Mas se isto é mau, se isto é posição geradora angústias e sentimentos extremos de impotência, ser sensato e perceber que estamos a fazer pagar o desgraçado que chegou a seguir pelos erros do que nos partiu o coração, momentos antes, em mil pedacinhos, não é coisa que nos deixe mais apaziguados. Vivemos, neste caso, numa luta interior duríssima, entre o que gostávamos de fazer e o que conseguimos fazer, entre o queríamos dizer e o que conseguimos verbalizar, entre os passos que desesperamos por dar e a gigante mão invisível que nos impede de sair do sítio. Bem sabemos que exigimos agora de quem faz por nos merecer muito mais do que algum dia pudemos ser capazes de imaginar reclamar de uma pessoa. Tornamo-nos extremistas, exigentes, demasiado exigentes, intransigentes, incapazes de relevar uma falha, com sérias limitações para a tarefa da relativização. Apostamo-nos em ser fiéis de uma balança a que se ascende apenas pelo tudo ou nada. Fechamo-nos numa concha demasiado dura e fazemos um finca pé esquisito, quase autista, às demandas do mundo. Lamentamo-nos. Somos humanos, portanto, não deixámos de ser frágeis. Aliás, nunca estivemos tão frágeis. Mas nunca nos deixaram tão entregues à nossa sorte, nunca nos tiraram o tapete de forma tão abrupta, nunca nos deram uma tareia tão dolorosa. Quando isso acontece, precisamos de atacar, para nos defendermos. Preferimos ficar sozinhos a correr o risco de nos partirem novamente o coração ainda tão cheio de cacos em falta.
Sinceramente, acho de uma injustiça inqualificável obrigarem as pessoas a passar por isto. Por uma coisa ou por outra. Bem melhor seria que, na arquitectura do mundo, as peças se encaixassem correctamente à primeira, que as histórias se escrevessem sem ser rasuradas, logo de um fôlego. Mas não é assim que acontece e o resultado está à vista. Tanta boa gente disfarçada de má. Tantos pares de mãos prontos a dar-se e com medo que os dedos não se encaixem. Tanta história por escrever e calada por não encontrar, nas resmas vindouras, folhas verdadeiramente em branco. Tanto coração disposto a viver feliz junto e a forçar-se a acreditar que sozinho é que se está bem. É um dó de alma assistir a isto.
Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Manias
De manhã e à noite não gosto de fazer refeições frias. Parece que fico mal disposta, não sei. Talvez por isso, não consigo pequeno almoçar um iogurte, por exemplo. Como sempre fruta, sempre. Normalmente, laranja. Mas preciso de um chá quentinho, de umas torradas quentinhas, enfim... de coisas quentinhas, para começar bem o meu dia. Mais ou menos na mesma lógica, não me importo nada de almoçar saladas, mas ao jantar, ao jantar custa-me tanto. Posso jantar só sopa, mas tem de ser uma coisa quentinha. Hoje, e porque estou a chegar agora a casa, ainda pensei numa saladinha, mas acho que vou pelo menos saltear uns cogumelos, só para aquilo não ser tão frio. Já não estou com pachorra para cozinhar, mas misturar ingredientes em frio, quer-me cá parecer, vai deixar-me desconsoladinha de todo. Tenho manias estranhíssimas... não liguem!
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Verdades e assim-assim
O cúmulo da preguiça
é estacionar no lugar a seguir ao passeio que dá entrada para a garagem do prédio, de modo a ser só descer o lancil e poder estacionar de frente. Sou uma pessoa que, modéstia à parte, até nem estaciona mal de todo noutras posições... mas para quê estar a esforçar-me se posso armar-me assim em esperta?! Se virem alguém aqui na rua a fazer essa figura, sou eu.
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Verdades e assim-assim
Do sentido
Como pode alguém querer cuidar de mim
Se de afeto esse alguém não entende nada
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Música,
Traduza-se.,
♥
Grata!
Já uma vez me disseram que os actos de justiça não se agradecem. E já alguém comentou comigo que aos amigos não se diz obrigada. Eu, cá por mim, acho que uma palavra de reconhecimento faz muito sentido em todos os contextos. Gosto dela. Digo algumas vezes obrigada. Digo muitas vezes que fico grata. O sentido é o mesmo. Aprecio quem me faz um bocadinho mais feliz, nem que seja só um bocadinho pequenino e com uma coisa quase insignificante.
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Verdades e assim-assim
Não sou eu que digo #4
Será que mereço a felicidade?
Será que vou encontrar alguém que me vai preencher os dias? Será que alguma vez
me vou sentir completo? Estas são dúvidas que periodicamente me assaltam os
pensamentos, como se a vida que vivo não fosse suficiente, como se o tempo que
se passa sozinho não faça parte de uma vida que valha a pena viver. Não sei se
surgirá alguém que me leve a escrever planos para a vida futura, que se ajuste
aos meus desejos, ou então que me faça rever ou esquecer todos esses desejos,
mas sei que a vida é demasiado preciosa para a desperdiçarmos à espera que algo
aconteça. Vemos mortes sem sentido quase diariamente, vidas que desaparecem sem
esgotarem o seu contributo para o mundo, como velas em que ainda há cera por
derreter, mas que se apagam devido a uma brisa mais forte. Só em homenagem a
essas vidas que se desvaneceram, deveríamos diariamente tentar fazer algo útil
com a nossa vida, tentar que a nossa existência fosse mais que uma mera
passagem repetitiva dos dias para as noites.
O
otimismo nunca foi um traço da minha personalidade, nunca achei que tudo se irá
resolver um dia e raramente consigo manter uma atitude positiva sobre a vida,
mas quero crer que no futuro vou responder afirmativamente a todas aquelas
perguntas, que me vou libertar de todas estas amarras emocionais que não me
deixam ser tudo o que posso ser, tudo o que quero ser…
Dele. Outra vez.
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Não sou eu que digo
Pequena R. pede ajuda ao leitor
O meu grande amigo CPS, responsável maior por me ter metido nesta coisa dos blogs, administrador insuperável do Magnólia, precisa de ajuda. Na verdade, o blog dele parece ter sido atacado por um ordinário de um vírus que não dá tréguas. A bem dizer, tenho saltado por cima dele e ido ao blog diariamente e o meu pequeno filho mac ainda não teve uma ceninha má. Mas é preferível não continuar a arriscar. E não quero o Magnólia de quarentena. É demasiado bonito para ficar escondido. Por tudo isto, pergunto: de entre as almas mais amigas e foffis e espertas da blogosfera, vulgo, os meus seguidores, há alguém que possa dizer qual o remédio mais certeiro para que possamos pôr o ordinário do vírus KO?! Sou vossa fã. Já disse?! Obrigadinha, sim?! Cá beijinho à vossa R. mais preferida :)
Domingo, 13 de Maio de 2012
Do sol. Da coceira. Disso.
E pronto. Veio o sol. Não andei em vestido de festa que muito me expusesse, que não. A verdade, aliás, é que me rendi à sensata hipótese de um camiseiro branco e, portanto, portei-me bem. Acontece que, lá mais para o meio da tarde, e porque os putos andavam de gaivota no lago e estava um calor de matar pessoas, decidi armar-me em normal e arregaçar as mangas. Neste momento, tenho toda uma vasta panóplia de borbulhas no peito e dos cotovelos para baixo, coincidentemente as partes de mim que viram sol. Na cara, por enquanto, escapei. É uma maravilha, sinceramente!
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Do que me dá vontade de desatar a berrar
Sábado, 12 de Maio de 2012
♥
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...
Cecília Meireles
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Traduza-se.,
♥
Futilidades
Diz que está mesmo muito calor. Logo de manhã, pintei as unhas de coral. É o mais que posso fazer para me conciliar de alguma maneira com este tempo.
Para quem ficar em casa
e não quiser ir esplanadar...
Na TVI está a dar um filme absolutamente perturbador, mas maravilhoso e com um desempenho ímpar da Angelina Jolie. A TROCA. Vale a pena ver. Eu tenho de trabalhar, se não, se não, revia mesmo.
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Cinema
Verdades e assim assim
Sou uma pessoa que faz por pôr a economia a mexer, que dá o seu contributo, que mantém o espírito consumista em alta, que entende a importância da circulação do capital...
no mercado dos collants.
É. Raramente duram mais de uma/duas utilizações!
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Verdades e assim-assim
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Da morte
A morte é, quase sempre, uma coisa estúpida. Ridiculamente, são muito mais as vezes em que a morte não passa disso, de uma coisa estúpida, por inesperada, por precoce, por traiçoeira de sonhos e projectos e de uma vida que não se cumpre. Raramente a morte surge num tempo adequado para que ganhe honras no palco ou como alívio. Mas há mortes que conseguem desafiar ainda mais a lógica e a vida do que as mortes estúpidas. São as mortes mesmo, mesmo estúpidas. Como esta, do Bernardo Sassetti.
Amigo é
o que partilha a dúvida e, passado um tempo, partilha a certeza. Amigo é o que dá conselho no primeiro momento e ouve sem julgar no segundo, concorde ou não com a decisão. Amigo é o que desaba sem complexos. Amigo é o que fica solidário, não o que tem pena. É... é isso. Acho eu.
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Verdades e assim-assim
Será?!
Sou uma medricas de marca relativamente a estas reviravoltas na vida de um país... mas... Não tenho a ingenuidade de achar que é porque não têm governo que crescem, como uma equação básica de quem descobriu a roda... mas... Por defeito de profissão, lido mal com a total ausência de regras... mas... Nem conheço a obra política do autor do artigo... mas... Será?!
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Do Estado das coisas...
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Dos dotes
Há dias em que sou levada a quase acreditar que até sei cozinhar. Temperei duas postas de salmão a meio da tarde, com sumo de limão, um fio de azeite, sal, pimenta preta e alecrim. Peguei nelas às oito e pouco e pu-las no forno. Enquanto coravam, cortei três batatas e uma cenoura para um tacho e pus aquilo a cozer só com sal. Quando estava quase cozido, deitei lá para dentro um ovo aberto, que escalfou. Apaguei, sequei e reduzi a puré. Voltei a levar ao lume com uma colher de chá de manteiga e uma pitada de pimenta (não tinha cá noz moscada, não batam mais) até engrossar. Quando acabei, tinha o salmão também pronto. Pus a mesa, servi-me e... a medo... tentei. Estava mesmo bom! E pronto, metade foi o jantar. O resto será o almoço de amanhã. Então não querem lá ver que, vai na volta, e até sou uma pessoa dotada para a cozinha?!
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Receitas boas mas boas
Contem-me lá...
É impressão minha ou parece que a Queima já não é vivida da mesma maneira?! Durante o dia não se vê gente trajada na rua, à noite só encontramos estudantes se formos ao Parque, não se fala de Sarau Académico, Chá Dançante, Garraiada ou Venda da Pasta... Os meus alunos mandam-me mails com dúvidas... Pessoas... é Queima!!! Quem raio são vocês para terem dúvidas da matéria numa semana como esta?! Esta gente é muuuito estranha. São muito mais irresponsáveis que nós e, no entanto, quer-me parecer, divertem-se tão menos do que nós nos divertíamos...
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Medo ao susto,
Verdades e assim-assim
Pequena R. pede ajuda ao leitor
Há por aí alguma alma informada que me diga qual a melhor opção agora que a EDP não manda sozinha nos momentos em que damos à luz em nossas casas?! Acabo de saber que aguardam, em casa dos meus pais, o meu douto parecer sobre a questão. Não quero desiludi-los e mostrar-lhes que, apesar dos já 25 anos de estudo que levo no lombo, ainda sei de muito poucas coisas e do que sei é mal e porcamente. De dar à luz, aqui me confesso, sei tanto como de lagares de azeite. E eu não sei de lagares de azeite. Compro da gallo e já na garrafa. Grata, sim?!
Heroínas de carne e osso
Também deve haver heróis destes, mas, até agora, só conheci heroínas. Duas. Idades diferentes, vidas diferentes. Uma história comum. Um encontro com um homem apaixonante, daqueles que dizemos poder ser o homem da vida de qualquer mulher, apaixonado, dedicado, sem hesitações entregue à mulher que amam. E, um dia, a dúvida, o desconforto. E, no outro, a certeza: é o meu amigo, o meu companheiro, mas não é o homem da minha vida. E elas dizem-lhes. E eles sofrem horrores. E, postos os horrores do sofrimento nos pratos de uma balança, tanto que esta penderia para o lado delas. Incompreensível, dirá a maioria. Coragem, fibra, lealdade a si mesmas, diria eu. Não sei se seria uma destas mulheres, postas as coisas nestes termos. Prefiro nunca descobrir o que faria. Na verdade, sempre que me lembro do que me disseram, não tenho espaço para muito mais que a admiração profunda por estas heroínas. Pelos vistos, ao dizerem a palavra fim, começou a doer-lhes uma dor aguda e, ao virarem a costas a quem reclamava que ficassem, enformou-se-lhes a saudade maior humanamente sentida. É preciso acreditar muito na história da felicidade.
Das saudades
Às vezes batem-me aqui à porta. Deixo-as entrar. Sou uma pessoa simpática. Não sei do que são. Mas isso é só quando penso. Quando não penso, parecem-me óbvias. Ou então é precisamente ao contrário e é quando não penso que não sei do que são e quando penso que me parecem óbvias. São tão parvas.
São as mesmas que devem bater à porta das alminhas que critico do alto da minha cátedra. Essas mesmo a quem, sem hesitações de maior, aponto o indicador. Vê-se bem que não se trata de arrependimento ou querer, afirmo, mas de se ser humano e se ter ego... E toda a gente sabe que, se há personificação do pecado da gula... ela é o ego das pessoas. As saudades e o ego, juntos, são insuperáveis a construir equívocos. E nem sempre estamos com cabeça para lhes estragar o esquema... também é verdade. Dá trabalho e mói. E de coisas que dão trabalho e moem andamos já nós todos mais que estafados.
Impossível - dos posts com alma
Da última vez que estive nos Açores, ouvi uma frase que nunca mais deixou de me acompanhar "O impossível é a medida do Homem.". Há dias, encontrei, já não sei onde, a frase "Por não saber que era impossível, foi lá e fez.". E a intermitência nas minhas convicções não dava tréguas. Ora me rendia à força ingénua das minhas frases, ora recolhia ao conforto da inevitabilidade. Não me entendia, nem ao resto. E teimava que talvez, lá bem no fundo, soubesse as respostas para as perguntas, mas, preocupada comigo, me fosse, apoucadamente, protegendo de as trazer à superfície de mim. Não tenho muitas dúvidas que vamos sabendo, intuindo, sentindo... que raramente as surpresas são isso mesmo... uma surpresa. Cuidamos muito de saltar barreiras, amarfanhar embotados, mas nós sabemos. Quase sempre, acho mesmo, nós sabemos bem mais do que cuidamos aceitar que sabemos. É difícil ser tão esperto. Ser gente dá uma trabalheira. E isto baralhava-me ainda mais e, confesso, assentava numa insuportável sensação de fingido, de fraude, de ser uma treta a história do coitadinha de mim que não imaginava. Insuportável. Suportamos pior as mazelas que reconhecemos ter ajudado a fazer. Até que encontrei uma tentativa de resposta que, apesar tudo, de não estar testada cientificamente e o raio, parece-me, vai conseguindo apaziguar-me a má experiência de ignorar que bem podia ter-me avisado. Não é só... ou tanto... por uma pressa inconsequente. Não. Afinal, é porque a minha medida não é o impossível... mas o coração. E toda a gente sabe que se há coisa sem limites não é o impossível... é mesmo o coração. Porque o impossível, o impossível é nada. Hoje vou fazer puré de batata para acompanhar o salmão no forno. O impossível é só o poema. O coração, o coração é que é o poeta.
Da fruta
Comi as minhas primeiras nêsperas deste ano. E gostei. Gosto de frutas de época.
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Manhãs que rendem
Tinha os vasos da varanda cheios de folhas secas e com a terra dura como pedras. Hoje foi dia de a remexer, tirar as folhas secas e redefinir as plantações. Depois reguei tudo, varri e limpei o chão com um detergente com cheiro a sabão natural e abri as janelas todas para se me fundir a casa com o ar arrumadinho do que está lá fora. Ando a chá de maçã e hibisco, mas não nego que também pequeno almocei um dos scones que sobraram ontem do lanche. As panquecas, em estreia pelas mãos de pequena R., sumiram todas, com açúcar, canela ou compotas. Tomei banho, rendi-me ao ritual de besuntar a pele com creme, que nem sempre apetece cumprir por imperativos de preguicite aguda. Já li meia hora de um livro não profissional (continuo a tentar cumprir este bom hábito matutino) e já arrumei o que andava fora do sítio, que há que preparar a casa para a chegada da minha Dona G., amanhã. Há muita roupa para passar... convém não a enervar ainda mais com o cenário do demo de desarrumação global. Já li um pendente que me andava a consumir e já fiz a minha apreciação e já a enviei a quem de direito. Já fiz um bocadinho de provas de uma coisa para publicar (ainda não acabei, mas é uma coisa chata e que não dá grande pica... corta s, acrescenta vírgula, troca minúscula por maiúscula, faz parágrafo... não é propriamente uma actividade que desenvolva muito o intelecto, embora seja chata comóraio). Não foi tudo exactamente por esta ordem, mas foi isto. Agora preparam-se aulas (já só temos mais quatro semanas delas). Daqui a nada almoça-se e continua-se. Há manhãs que rendem. Para a semana, num dia qualquer, hei-de equilibrar o mau humor de ter de me pespegar novamente na loja do cidadão com uma das poucas conquistas mesmo boas do tempo do sol - montar novamente a rede ali na varanda. Sou uma rapariga que não aprecia o calor... mas tenho a casa cheia de luz e, não sei porquê, está-se bem a trabalhar aqui.
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Devo confessar
Aos poucos, muito lentamente, vou recuperando algumas esperanças na ameaçada espécie dos homens que valem a pena. Ou porque a história que me fez escrever este texto morreu e deu lugar a outra com um homem que dá gosto conhecer, ou porque, à medida que o tempo passa, esta pessoa me reconfirma o quanto aquele com quem está é o homem da sua vida (no outro dia, dizia-me "sabes que tudo aquilo que agora te parece imenso vai apequenar-se... quando te encontras diante da pessoa com quem tens filhos e isso se ajusta em projecto feliz da tua vida, tudo o que fica para trás acaba por parecer-te tão ridiculamente menos importante..."), ou simplesmente porque me apaixono pela condição de humano que ama a cada novo texto do MEC, ou porque descubro coisas assim, como esta, tão maravilhosas, ou porque a vida me vai apresentando, a tempos, quem, deliciosamente, me baralha as certezas. Acho que é por uma destas razões, ou por todas elas em conjunto, mas, aos poucos, muito lentamente, a verdade é que vou recuperando algumas esperanças na ameaçada espécie dos homens que valem a pena.
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♥
Gosto quando, inesperadamente,
me escrevem ou me dizem
"Gosto de ti".
Aconteceu ainda agora e... é tão bom :)
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♥
Terça-feira, 8 de Maio de 2012
♥
É a companhia de hoje à noite, enquanto leio, finalmente, um artigo com alguma utilidade para a tese.
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Non sense
Tenho um pedido a fazer-te. Que não te vás. Tenho um problema a confessar-te. Não sei quem és.
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Traduza-se.
Dos amigos
Às vezes, dou por mim a explicar-lhes que são criaturas especiais e, enquanto verbalizo aquelas verdades, a gostar ainda mais um bocadinho deles, a perceber como tenho uma sorte sem tamanho por fazerem parte das minhas pessoas.
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Saudades
de me faltar a resposta pronta, mais por perdida a meio caminho entre o sim e o tenho tanto medo que por não a saber de todo.
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Traduza-se.
Gosto de
dias amenos, andar descalça, vestidos, limonada, janelas até ao chão, vistas amplas, pão com manteiga, vasos de lata, baús de madeira, tapetes pesados, doce de figo, anéis muito fininhos, vernizes que secam rápido, pessoas que se abraçam e se beijam sem fazerem barulho, vistos na agenda, casas com flores naturais, varinhas de condão, livros sem desenhos, fotografias a preto e branco, corte império, gargalhadas de crianças, produtos com aroma de white jasmin, collants opacos, sapatos redondos à frente, amigos que se tratam por diminutivos ou nomes carinhosos, desenhos abstractos, fitas de cetim, blusas com rendinhas, cinemas sem intervalo, chocolate com passas, amêndoas peladas, toalhas de mesa com flores, lençóis claros, luzes quentinhas, carteiras grandes, tecidos às bolinhas, caixas forradas a tecido ou lacadas de branco, livros infantis, poemas que rimam e poemas que não rimam, aroma de chuva na terra seca, andar a pé, ouvir a palavra "mana" dita pelo meu irmão, copos altos, canela, finais felizes, pulseiras muito fininhas, lojas organizadas, camisolas largas e com carapuço para estar em casa, bilhetes com boas notícias, ténis com atacadores, chá muito quente, tardes a esplanadar e com um casaco vestido, músicas com piano, números ímpares, cor de rosa, aroma de eucalipto, cadernos pautados em branco, canetas de ponta fina, árvores de Natal, cerejas, morangos, mirtilos e amoras, decotes em V, pérolas, brincos minúsculos ou bem grandes, roupa de criança, homens com barba, notas de rodapé pequenas, balões e mantas nos sofás.
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Tempo, tempo, tempo
Será que vai chover?! Alguém me ajude, que já nunca sei se leve botas e gabardine ou sabrinas e casaquinho de malha. Estou baralhadinha de todo com este tempo.
Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Wishlist
Sou uma fã das palavras em papel. Tenho um medo sem tamanho de quem quer acabar com o papel enfeitado por palavras, de quem se propõe acabar com os livros (e com o cheiro dos livros, que não podemos recuperar em mais lado nenhum), de quem entende que a palavra escrita numa mensagem no telemóvel ou num mail vale como a palavra escrita numa folha de papel, num pedacinho de papel que seja, daqueles que se guardam para sempre, que se conservam em caixinhas que podemos perfumar com raspas de alfazema, enfim. Sou tão fã das palavras em papel que, como sabem, continuo a escrever postais de Natal, bilhetes para juntar a alguns presentes, recados, agendas em papel, cartas. Se há coisa, relativamente ao blog, que poderia deixar-me profundamente triste era que ele desaparecesse sem que eu quisesse, se esfumasse como matéria que o não é, mais ou menos à semelhança do que imagino serem os dados que partilhamos e se passeiam pela internet. Se pudesse, se tivesse tempo e mais paciência, dedicava-me a passá-lo para caderninhos de capa dura, como que honrando-lhe a natureza de diário. Apesar de, para mim, a palavra escrita valer assim, só por si, a palavra escrita desenhada aparece como cristal trabalhado, desenho emoldurado... não sei. Corpo e alma, vá. Muito por isso, quer-me parecer, é que me apaixonei por este post do maravilhoso blog Simplesmente Branco. Que bonita ideia. Que coisa mais preciosa.
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Gosto de...,
Wishlist,
♥
Dos artistas
Só porque acho que este momento se destacou entre quase todos os dos últimos meses, quem sabe anos, no horário nobre dos programas da televisão nacional.
E o que é que Aveiro tem
que falta em Coimbra (algumas das muitas coisas)?!
A Loja do Chá.
A Madre.
A Caroll.
A minha S.
Ruas planas.
A Loja do Chá.
A Madre.
A Caroll.
A minha S.
Ruas planas.
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Gosto de...,
Lugares
Da idade
Fui almoçar com os meus pais. O meu pai passou metade da hora de almoço a contar-me cabelos brancos visíveis. A minha mãe fez uma dissertação de quase meia hora sobre as vantagens de se pintar o cabelo, ao menos, já que não se quer voltar a ser loira nem ter o cabelo às cores com madeixas.
Fui ao banco, tratar de coisas e ver como paravam as modas dos produtos financeiros. Quando me sentei, o meu gerente escondeu todos os papéis onde aparecia a palavra "jovem" e sorriu, acrescentando "Isto já não nos interessa!".
Fui ao dentista. Receitou-me uma pasta com 5000 p não sei o quê, cara comóraio, mas, ao que consta, muito boa para dentes que são uma miséria pegada, mais ou menos como os meus. Justificou a escolha com um discurso de metro, mas a verdade é que lá no meio usou a expressão "E depois há o factor idade".
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Medo ao susto
Domingo, 6 de Maio de 2012
Não lhe toquem, que se desafina
Se há coisa que eu não entendo é a velha história, repetida ad nauseam, dos homens que querem, fantasiam, sonham e desejam momentos íntimos novos com todas as suas forças, mas optam por concretizá-los, não com a mulher, a companheira ou a namorada, mas sim com qualquer outra mulher a que não os una, dizem eles, amor. Não entendo. Parece que lhes assiste a má convicção de que as suas se quebrarão em actividades de renovado vigor. Não entendo. Não aprecio. Gosto pouco de os reconhecer incapazes de aceitar que cada uma de nós é aquilo que bem entender, consoante o momento e a pessoa com quem o partilha. Tenho dito.
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Clic off,
Verdades e assim-assim
Gosto de
noites claras. Como a de ontem. Estava uma lua tão bonita. Entrava-me pelas janelas e reflectia-se no soalho.
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Gosto de...
Mãe
Tenho a casa perfumada por jacintos. Foram as flores que escolhi dar-lhe este ano. Fui buscá-los ontem, pu-los em água e desde aí que a minha casa cheira ainda mais a flores do que é costume. Ainda ontem lhe dizia que, para mim, é a melhor do mundo, que não a trocava, mesmo que me levassem à loja das mães. É minha. E eu gosto dela como se gosta das mães. Nunca fui de contar-lhe tudo o que se passa na minha vida. Acho que vai sabendo, apesar disso, de muitas coisas. Adivinha-as. Não temos a relação que tenho com as minhas melhores amigas. E acho isso perfeito. Não queria que fosse de outra maneira. Não há razão nenhuma para que entre uma mãe e uma filha se estabeleça a relação de melhores amigas. São coisas diferentes. Ser mãe é outra liga. Não quero contar à minha mãe todos os disparates que faço e todos os que não faço apenas porque não tenho oportunidade. Não. Da minha mãe reclamo um colo sem cobranças, sem perguntas, sem longas explicações. Dela espero a voz serena de quem acredita com todas as forças, quando me diz "Já passou" ou "Vai ficar tudo bem", que, efectivamente, já passou e vai ficar tudo bem. Da mãe quero o conforto dos sítios a que podemos voltar sempre, porque nos esperam ainda antes de nascermos. Se um dia for mãe, é isso que quero dar aos meus filhos. A certeza de que o resto do mundo pode virar-lhes as costas, que haverá sempre um sítio só deles: o lugar inteiro que lhes destino no coração.
Sábado, 5 de Maio de 2012
Hoje, ao cair da noite,
há disto. Em melhor ainda, porque não estamos numa Latada... mas numa QUEIMA.
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